Gaibu, 12 de maio de 2009.
Prezado ou prezada, Senhor ou senhora, Secretário ou Secretária de Educação do Município de Onerom.
Venho cobrar-lhe uma justificativa: por que o Programa Gestar II não foi implantado nesta cidade uma vez que o município além de aderir ao programa, dispõe de professores formadores, nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática, devidamente capacitados por professores da UnB (Universidade de Brasília), principalmente, quando urge elevar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), cujo resultado em Pernambuco é um dos piores do país, e com Onerom não é diferente.
Talvez o(a) nobre Secretário(a) acredite que quem espera sempre alcança. Talvez, ainda, a desculpa para não dar início ao programa seja a entrega do material do professor cursista, pois, se for essa, quero que saiba que alguns municípios como Arcoverde e Lagoa dos Gatos começaram a formação mesmo sem o material. Ademais, em São Bento do Una, o Secretário desse município reproduziu o material para fazer o Gestar acontecer.
Vale lembrar, caríssimo ou caríssima, que o objetivo do Gestar é elevar a qualidade da aprendizagem de professores e alunos; portanto, que justificativa será dada para este descompromisso com o pacto firmado pelo MEC (Ministério da Educação)?
Aguardo ansiosa a sua resposta a fim de ver, efetivamente, "viver de novo um novo tempo".
Atenciosamente,
Alethea, professora formadora, solidária com a situação da educação em Onerom.
Equipe: Ana Paula, Betânia, Edvânea Maria, Gislaide, Mércia, Valdilene
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Intertextualidade, poesia e aprendizagem na sala de aula
A maneira como, muitas vezes, o texto poético é trabalhado em nossas salas de aula faz com que o número de leitores de poesia seja "minguado". O mesmo ocorre quando "aprendemos" (e ensinamos) os sinais de pontuação aos nossos alunos, eles até sabem "para que serve o sinal de exclamação": é empregado para marcar o fim de qualquer enunciado com entonação exclamativa, que normalmente exprime admiração, surpresa, assombro, indignação etc. Não é isso que dizem as Gramáticas Normativas?!
Simplista demais, não?!
E o que dizer das possibilidades que a "!" encerra, e de como pode ser rico o casamento entre a poesia e pontuação? E de como a leitura da poesia - dissemos leitura, não estudo - pode tornar a aprendizagem mais saborosa.
A título de exemplo, gostaríamos de citar o poema concreto (sem título)que criamos, cujos versos dialogam com "Poema de sete faces" e "Com licença poética", de Carlos Drummond e Adélia Prado, respectivamente, e que tem como "trilha sonora" (usem a sua imaginação, amigos) a canção "Eu, Tu, Eles", de Targino Gondim.
Vale ressaltar que a nossa produção deu-se após a leitura do poema "Tango", de Dirceu Câmara Leal. Ambos os textos, o de Dirceu e o nosso, foram trabalhados na formação dos professores cursistas da Prefeitura de Olinda, no espaço da Oficina que chamamos de "Troca-troca de experiências" numa referência à revista anual publicada pelo Departamento de Educação Básica da Secretaria de Educação dessa Prefeitura. Acreditamos que essa socialização de experiências pode estimular os colegas cursistas a criar com seus alunos, do 6º ao 9º ano, textos diversos com o pouco que têm. Vamos ao texto?
... - !
Um e sessenta - Um e setenta e quatro
Enxofrado - Diabo louro
Mofino - Viçosa
Vai ser “guache” na vida - Vai carregar bandeira
Carlos - Adélia
Eu vou falar com ele, eu vou
Falar do meu tesão por ele, eu vou!!!
... !!!
...!!!
...!!!
!!!...
!!!...
!!!...
!.
.!
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Grupo: Ana de Paula, Betânia, Edvânea, Fátima e Mércia
Simplista demais, não?!
E o que dizer das possibilidades que a "!" encerra, e de como pode ser rico o casamento entre a poesia e pontuação? E de como a leitura da poesia - dissemos leitura, não estudo - pode tornar a aprendizagem mais saborosa.
A título de exemplo, gostaríamos de citar o poema concreto (sem título)que criamos, cujos versos dialogam com "Poema de sete faces" e "Com licença poética", de Carlos Drummond e Adélia Prado, respectivamente, e que tem como "trilha sonora" (usem a sua imaginação, amigos) a canção "Eu, Tu, Eles", de Targino Gondim.
Vale ressaltar que a nossa produção deu-se após a leitura do poema "Tango", de Dirceu Câmara Leal. Ambos os textos, o de Dirceu e o nosso, foram trabalhados na formação dos professores cursistas da Prefeitura de Olinda, no espaço da Oficina que chamamos de "Troca-troca de experiências" numa referência à revista anual publicada pelo Departamento de Educação Básica da Secretaria de Educação dessa Prefeitura. Acreditamos que essa socialização de experiências pode estimular os colegas cursistas a criar com seus alunos, do 6º ao 9º ano, textos diversos com o pouco que têm. Vamos ao texto?
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Um e sessenta - Um e setenta e quatro
Enxofrado - Diabo louro
Mofino - Viçosa
Vai ser “guache” na vida - Vai carregar bandeira
Carlos - Adélia
Eu vou falar com ele, eu vou
Falar do meu tesão por ele, eu vou!!!
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Grupo: Ana de Paula, Betânia, Edvânea, Fátima e Mércia
quinta-feira, 14 de maio de 2009
SEU JOÃO: AS APARÊNCIAS ENGANAM
João da Silva, mais conhecido como “seu João”, casado, 4 filhos, 63 anos de vida, caminhoneiro com 30 anos de estrada, amante da literatura.
REPÓRTER: Bom dia, seu João! O que o senhor está lendo hoje?
Seu João: Tô lendo O Retrato de Dorian Grey
REPÓRTER: Dorian Grey?! O senhor comprou ou ganhou esse livro?
Seu João: Ah, eu peguei emprestado com meu filho, que está na faculdade.
REPÓRTER: Conte essa história, seu João! Que faculdade ele está fazendo? O senhor só tem ele como filho?
Seu João: Ih... tenho ele e mais três meninas. O menino tá fazendo História na FAMASUL, e as meninas já tão tão formadas: uma é enfermeira, a outra é professora e a mais velha é advogada no “Ricife”
REPÓRTER: E o seu interesse pela leitura, começou quando? O senhor sempre gostou de ler?
Seu João: Eu gostava de ler na escola, mas parei muitos anos, porque tive desde pequenininho acompanhar meu pai na boleia do caminhão dele. Mas quando fiquei grande e me casei e vi que não queria essa vida pra meus filhos, fiz de tudo pra que eles tivessem estudo e fossem alguém na vida. E hoje, cada um é.
REPÓRTER: Mas a leitura, quando é que começou realmente?
Seu João: Os meninos traziam pra casa os livros que as professoras mandavam ler, e eu ia sempre que podia lendo um livro ou outro acompanhando as histórias... já li de um tudo: O alienista, Morte e Vida Severina (que vida Severina!), Crime e castigo, O crime do padre Amaro, ah... foram muitos
REPÓRTER: E o que o senhor está achando de O Retrato de Dorian Grey?
Seu João: É assustador!
REPÓRTER: Como assim?
Seu João: Ah, é porque quem vê cara, não vê coração. O moço é bonito, mas é ruim e não se importa com o que os outros sentem...
REPÓRTER: E os seus amigos, quando veem o senhor lendo, o que dizem?
Seu João: No início, eles ficavam rindo, mexendo comigo, mas depois queriam saber como era a história. E eles, agora, brincando, me chamam de “professor”.
REPÓRTER: E o senhor gosta? Queria ter seguido uma oura profissão, professor, talvez?!
Seu João: Eu me divirto e sei que eles me respeitam, mas eu não queria ser outra coisa não! Criei meus filhos e, mesmo não tendo terminado os estudos, aprendi muito na estrada.
REPÓRTER: E parar de ler, o senhor pensa?
Seu João: De jeito nenhum! Só quando eu morrer.
Equipe: Ana Paula, Betânia, Edvânea, Mércia
REPÓRTER: Bom dia, seu João! O que o senhor está lendo hoje?
Seu João: Tô lendo O Retrato de Dorian Grey
REPÓRTER: Dorian Grey?! O senhor comprou ou ganhou esse livro?
Seu João: Ah, eu peguei emprestado com meu filho, que está na faculdade.
REPÓRTER: Conte essa história, seu João! Que faculdade ele está fazendo? O senhor só tem ele como filho?
Seu João: Ih... tenho ele e mais três meninas. O menino tá fazendo História na FAMASUL, e as meninas já tão tão formadas: uma é enfermeira, a outra é professora e a mais velha é advogada no “Ricife”
REPÓRTER: E o seu interesse pela leitura, começou quando? O senhor sempre gostou de ler?
Seu João: Eu gostava de ler na escola, mas parei muitos anos, porque tive desde pequenininho acompanhar meu pai na boleia do caminhão dele. Mas quando fiquei grande e me casei e vi que não queria essa vida pra meus filhos, fiz de tudo pra que eles tivessem estudo e fossem alguém na vida. E hoje, cada um é.
REPÓRTER: Mas a leitura, quando é que começou realmente?
Seu João: Os meninos traziam pra casa os livros que as professoras mandavam ler, e eu ia sempre que podia lendo um livro ou outro acompanhando as histórias... já li de um tudo: O alienista, Morte e Vida Severina (que vida Severina!), Crime e castigo, O crime do padre Amaro, ah... foram muitos
REPÓRTER: E o que o senhor está achando de O Retrato de Dorian Grey?
Seu João: É assustador!
REPÓRTER: Como assim?
Seu João: Ah, é porque quem vê cara, não vê coração. O moço é bonito, mas é ruim e não se importa com o que os outros sentem...
REPÓRTER: E os seus amigos, quando veem o senhor lendo, o que dizem?
Seu João: No início, eles ficavam rindo, mexendo comigo, mas depois queriam saber como era a história. E eles, agora, brincando, me chamam de “professor”.
REPÓRTER: E o senhor gosta? Queria ter seguido uma oura profissão, professor, talvez?!
Seu João: Eu me divirto e sei que eles me respeitam, mas eu não queria ser outra coisa não! Criei meus filhos e, mesmo não tendo terminado os estudos, aprendi muito na estrada.
REPÓRTER: E parar de ler, o senhor pensa?
Seu João: De jeito nenhum! Só quando eu morrer.
Equipe: Ana Paula, Betânia, Edvânea, Mércia
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