quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TP6 - argumentação

Com o intuito de aquecer a turma para esse encontro, utilizamos imagens de "Propagandas" diversas e um texto "Dona Genoveva", que serviu de descontração, inferências e verificação das finalidades de cada um, cada qual utilizando argumentos variados, visto que, nestas duas abordagens, utilizamos a linguagem, que estamos implicitamente alterando - ou querendo alterar as crenças dos interlocutores, implicitamente querendo convencê-los de nossas ideias (pg.16). Através de vários textos publicitários (flashcards), distribui a cada cursista, a fim de fazer a interpretação: a quem ele se destina? Do que pretende convencer? Como faz isso? E verificamos também os tipos de argumentos presentes em algumas atividades do TP6: argumentos baseados em provas concretas, argumentos baseados no senso comum, argumento por exemplos, argumento de autoridade, argumentos por raciocínio lógico.

Dando continuidade, entreguei a cada cursista uma atividade da página 59 - AAA6 - professor - "Construa as suas próprias estratégias" com o objetivo de identificar estratégias que podem ser utilizadas para o planejamento do texto:

Imagine que você foi convidade por um importante fabricante de tênis para criar uma propaganda para um lançamento da fábrica: o Tênis Ventilado.
Para inventar a propaganda, você precisa conhecer melhor este calçado, as suas caracterísitcas, vantagem e desvantagens.
Como característica, o fabricante afirma:

O tênis não permite que o usuário tenha chulé, pois há circulação de ar na parte interna do calçado.
O tênis tem uma palmilha que não aceita umidade.
O calçado é anatômico, nã
o deforma os pés nem causa calos e desconforto no usuário.
O tênis tem durabilidade de dez anos e garantia de cinco anos quanto ao solado, às costuras e à capacidade de não permitir chulé.

Desvantagens:

O tênis custa o valor de cinco salários mínimos.
O usuário não poderá ter contato com outro calçado no período em que usar o tênis.
Perderá a garantia aquele usuário que calçar outro sapato no período de dez anos.
O tênis é fabricado apenas na cor preta.

Agora que você já conhece as características do calçado e as suas desvantagens, poderá inventar uma propaganda que garanta ao fabricante vender o seu produto e manter o seu lucro em alta. Como você não tem experiência na área da publicidade, nós lhe daremos uma ajudinha...

Para preparar uma propaganda, são importantes alguns cuidados:
Dê maior destaque às qualidades.
Direcione o seu texto ao público consumidor adequado.
Fale o essencial para não cansar ou desestimular o consumidor.
Procure apresentar no texto uma imagem, palavra ou sensação agradável, para aproximar o leitor do texto e seduzir o consumidor.
Escolha com cuidado o que vai dizer: selecione bem as palavras, faça frases claras e diretas e não deixe dúvidas sobre o produto.
Por fim, não mencione qualquer informação negativa sobre o produto;é melhor ignorar do que tentar justificar.

Agora que você já observou alguns aspectos que são indispensáveis ao texto de uma propaganda, convide um colega para fazer uma dupla de trabalho e crie a sua propaganda.
Capriche!


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Dona Genoveva
Numa cidade do interior de PERNAMBUCO, o Promotor de Justiça chama sua primeira testemunha, uma velhinha de idade bem avançada.
Para começar a construir uma linha de argumentação, o Promotor pergunta à velhinha:
- Dona Genoveva, a senhora me conhece? Sabe quem sou eu e o que faço?
- Claro que eu o conheço, Vinícius! Eu o conheci bebê.
Você só chorava, deveria ser pelo 'pintinho pequeninho' que você tinha.
E, francamente, você me decepcionou.
Você mente, você traiu sua mulher,você manipula as pessoas, você espalha boatos e adora fofocas.
Você acha que é influente e respeitado na cidade, quando na realidade você é apenas um coitado.
Nem sabe que a filha esta grávida, e pelo que sei, nem ela sabe quem é o pai.
Ah, Numa cidade do interior de PERNAMBUCO, o Promotor de Justiça chama sua primeira testemunha, uma velhinha de idade bem avançada.
Para começar a construir uma linha de argumentação, o Promotor pergunta à velhinha:
- Dona Genoveva, a senhora me conhece? Sabe quem sou eu e o que faço?
- Claro que eu o conheço, Vinícius! Eu o conheci bebê.
Você só chorava, deveria ser pelo 'pintinho pequeninho' que você tinha.
E, francamente, você me decepcionou.
Você mente, você traiu sua mulher,você manipula as pessoas, você espalha boatos e adora fofocas. Você acha que é influente e respeitado na cidade, quando na realidade você é apenas um coitado. Nem sabe que a filha esta grávida, e pelo que sei, nem ela sabe quem é o pai.
Ah, se eu o conheço! Claro que conheço! O Promotor fica petrificado, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Ele fica mudo, olhando para o Juiz e para os jurados. Sem saber o que fazer, ele aponta para o advogado de defesa e pergunta velhinha:
E o advogado de defesa, a senhora o conhece?
A velhinha responde imediatamente:
- O Robertinho? É claro que eu o conheço! Desde criancinha.
Eu cuidava dele para a Marina, a mãe dele, pois sempre que o pai dele saia, a mãe ia pra algum outro compromisso... E ele também me decepcionou.
É preguiçoso, puritano, alcoólatra e sempre quer dar lição de moral nos outros sem ter nenhuma para ele. Ele não tem nenhum amigo e ainda conseguiu perder todos os processos em que atuou. Além de ser traído pela mulher com o mecânico...Isso mesmo, com o mecânico!! Neste momento, o Juiz pede que a senhora fique em silêncio, chama o promotor e o advogado perto dele, se debruça na bancada e fala baixinho aos dois: - Se algum de vocês perguntarem a esta velha, filha da puta, se ela me conhece, vai sair desta sala preso!
Fui claro?
FORMADORES GESTAR II – SANTA CRUZ/PE































Mais detalhes, visite o blog:procurandoacertar.blogspot.com
Betânia (formadora - Santa Cruz-PE)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vale a pena conferir!

A CAMINHO DA PRODUÇÃO DO TEXTO DISSERTATIVO NO ENSINO FUNDAMENTAL
(ON THE WAY TO PRODUCE ARGUMENTATIVE TEXTS AT PRIMARY SCHOOL)

Adriana FISCHER (Universidade Federal de Santa Catarina)

RESUMO: A produção de textos dissertativos em séries iniciais do Ensino Fundamental é ainda uma atividade restrita. Devido a esta constatação, propõe-se, então, um trabalho com esse gênero discursivo em uma 4a série, a fim de que os alunos desenvolvam suas capacidades argumentativas e se assumam sujeitos/autores de seus textos dissertativos.

PALAVRAS-CHAVE: argumentação; interação; produção escrita; crianças.

[...]
A pesquisa em sala de aula: algumas reflexões e conclusões preliminares

Através de uma metodologia caracterizada pelo estudo do tipo etnográfico, realizou-se a pesquisa na 4a série A do Colégio de Aplicação da UFSC, em 2000. Visando, ainda, implementar a produção de textos escritos junto aos alunos desta classe, foi realizada uma intervenção colaborativa que preconiza um trabalho conjunto com a professora regente e colaboração progressiva entre a pesquisadora e o grupo pesquisado.

Um forte motivo para introduzir a produção escrita de textos dissertativos nessa 4a série, por intermédio de intervenção colaborativa, foi a constatação, através de observações diárias, do domínio da forma discursiva dissertativa oral pelos alunos. Então, por que adiar este trabalho escrito para séries finais do Ensino Fundamental? Conforme depoimentos da professora regente: os alunos preferem os textos narrativos, onde eles narram o acontecimento. Também não trabalhei assim com eles o narrativo tem essa e essa procedência e o texto dissertativo tem essa e essa e assim por diante. E a dificuldade deles nos outros tipos de textos é maior. Pra mim também a maior facilidade é o texto narrativo. Através do posicionamento da professora, compreende-se que a insegurança e a falta de informação a respeito da produção de textos dissertativos eram fatores claros para abdicar deste trabalho.

Conseqüentemente, procurando oferecer condições de produção aos textos dissertativos junto aos alunos, foram realizadas, primeiramente, diferentes tarefas. Destacam-se: atividades de leitura, reflexão e análise de pequenos textos em busca da tese central e argumentos presentes; elaboração de argumentos escritos, com vistas à realização de um debate político, entre alunos, e posterior votação; exercício de construção de esquemas, com o objetivo de guiar os alunos na formulação de delimitações de um assunto a serem discutidas num texto escrito; leitura de alguns textos de enciclopédias e revistas, a fim de analisarem a configuração de textos: título, subtítulos, gravuras, gráficos etc., a qual facilita a compreensão dos leitores e, por fim, ordenação lógica de parágrafos de um texto intitulado “História da escrita”, no intuito de que os alunos localizassem expressões – pistas lingüísticas – deixadas pelo autor do texto, para a compreensão da evolução histórica da escrita e, assim, poderem ordenar cronologicamente os parágrafos.

Realizada esta trajetória inicial com os alunos, quatro propostas de produção de textos dissertativos foram desenvolvidas. A primeira, um texto evidenciando o ponto de vista e argumentos críticos do aluno acerca de um notícia atual, a qual foi escolhida e lida pelo próprio aluno. Vale ressaltar que já era atividade semanal, para os alunos da 4a série A, a exposição oral sobre um acontecimento atual do Brasil ou do mundo. A segunda proposta foi a produção de um texto revelando a evolução histórica de alguma descoberta humana. Para isso, a tarefa de cada aluno, foi, inicialmente, pesquisar e ler sobre um tema do próprio interesse, para então ter informações e condições para produzir um texto dissertativo. A terceira proposta foi uma resenha crítica sobre o filme “Os Batutinhas” proposto pela bibliotecária da escola. Anterior a esta produção escrita foram realizadas leitura e análise de uma resenha crítica, intitulada “Cadeiras Vazias”, do autor Sérgio Rizzo. A última proposta foi um texto argumentativo, assim denominado, pois versava sobre um tema polêmico – violência – apresentando, dessa forma, pontos de vista contrários na mesma produção. Para viabilizar as discussões sobre este tema, foi feito, inicialmente, um debate coordenado por um policial. Assim, os alunos tiveram oportunidades de participarem ativamente das discussões. É importante destacar que atividades coletivas de reescrita foram desenvolvidas, a fim de orientar, de forma mais objetiva e diretiva, a reelaboração dos textos produzidos pelos alunos. Também, foram estabelecidos interlocutores reais para a produção de cada um dos quatro textos realizados durante a intervenção colaborativa – decisão esta que muito impulsionou os alunos.

As produções dos quatro textos dissertativos, na 4a série A do Colégio de Aplicação da UFSC, apontam para algumas constatações iniciais. A afinidade com o ato de narrar é explícita se comparada com a atividade da argumentação. Como constata Dolz (1995), a redução de atividades lingüísticas aos textos narrativos e descritivos, nas séries iniciais do ensino fundamental, justifica-se pela hipótese que há uma sucessão gradativa para o ensino desses gêneros discursivos. Desta forma, é adiado o trabalho com textos dissertativos escritos. Apesar da produção freqüente de textos narrativos, os alunos reagiram, na maior parte das vezes, de maneira positiva diante de atividades e propostas voltadas à produção de textos dissertativos. Porém, em muitos momentos, eram evidenciadas certas atitudes de resistência à realização dos trabalhos, provavelmente pela insegurança diante de um novo objeto (texto dissertativo), pela falta de conhecimento e por terem internalizadas muitas concepções sobre a produção de textos referentes a exigências meramente escolares.

Os textos produzidos demonstram ser coerentes às situações comunicativas propostas, ou seja, eram adequados às situações específicas de interação. Por exemplo, nos textos sobre o tema polêmico “violência” é evidente o posicionamento crítico dos alunos, apesar de muitos revelarem dificuldades em elaborar argumentos contrários ao próprio ponto de vista - contra-argumentos – conforme a proposta de produção deste texto. Confirma-se, por sua vez, que a necessidade de convencer e/ou persuadir um interlocutor representa um importante objetivo para a produção de textos dissertativos, distanciando esta atividade escrita de textos narrativos e da existência de um só destinatário: o professor.

Também é possível constatar que a organização do texto dissertativo se torna uma atividade mais objetiva, coesa e coerente para os alunos, se condições de produção forem favoráveis para que eles realizem escolhas de diferentes estratégias de dizer – procedimentos lingüísticos, a fim de sustentar uma afirmação, obter a adesão dos interlocutores e/ou justificar uma tomada de posição. Assim, as participações dos alunos, nas atividades precedentes à primeira versão dos textos (leitura e análise de textos, debate oral, por exemplo) e, principalmente, à reescrita dos textos, no tocante aos aspectos discursivos, configuracionais e lingüísticos, foram decisivas para determinar as escolhas específicas realizadas por cada aluno. Revelam-se, ao longo do processo, marcas de um maior comprometimento dos alunos com seus dizeres, em que esses sujeitos se assumem autores de seus textos dissertativos. A partir dessa tomada de posição, por parte dos alunos, é possível inferir que a atividade de argumentação escrita vai sendo ampliada e qualificada por intermédio de novas experiências e conhecimentos, permitindo veicular, a cada texto dissertativo produzido, uma unidade de sentido. Nessa perspectiva, é confirmado que atividades com textos dissertativos escritos, já nas séries iniciais, neste caso de pesquisa – 4a série, possibilitam ao aluno expor o ponto de vista e assumir uma posição crítica diante de fatos reais, desenvolvendo, assim, a capacidade argumentativa.

Apesar das reações e atitudes positivas, outras parecem caminhar numa direção contrária. Surgiam algumas reclamações quanto à atividade de reescrita dos textos. Mesmo havendo interação entre os alunos na atividade oral, precedente à reescrita, surgindo várias sugestões de mudanças para os textos, o trabalho com a linguagem escrita não seguiu esta mesma direção. Certamente, as formas de interação entre texto, professor e aluno desenvolvidas em sala de aula, no período anterior à intervenção colaborativa, contribuíram para essas atitudes controversas dos alunos.
Portanto, a afinidade, a experiência e a segurança com a produção de textos dissertativos serão ampliadas gradativamente nos alunos, através da continuidade desse trabalho nas séries seguintes, proporcionando a eles novas habilidades nessa atividade escrita.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986.
_____. Estética da criação verbal. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DOLZ, J. Learning argumentative capacities: a study of the effects of a systematic and intensive teaching of argumentative discourse in 11-12 years old children. Argumentation, n.10, p. 227-251. Netherlands, Kluwer Academic Publishers.
GALVES, C.; ORLANDI, E. P.; OTONI, P. (Orgs.) Técnicas de aprendizagem da argumentação escrita. In: VIGNER, G. O texto, leitura e escrita. 2.ed. São Paulo: Pontes, 1997. p. 117-136.
GERALDI, J. W. Portos de passagem. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
KOCH, I. V. Argumentação e linguagem. 5.ed. São Paulo: Cortez, 1999.
LEITE, S. A. da S.; VALLIM, A. M. de C. O desenvolvimento do texto dissertativo em crianças da 4a série. Cadernos de pesquisa, São Paulo, n. 109, p. 173-200, março 2000.
MARTIN, J. Factual writing: exploring and challeging social reality. 2.ed. Oxford: Oxford University Press, 1990.
MARTINEZ, R. H. B. Subsídio curricular de língua portuguesa para o 1o e 2o graus; coletânea de textos. São Paulo: CENP/SE, n. 23, p. 51-9, 1997.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

FONTE: http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/31/htm/comunica/CiII07a.htm
Edvânea Maria (professora Formadora)

domingo, 1 de novembro de 2009

Etapas de letramento



Na escritura deste memorial sobre minha história com a leitura, volto e revivo momentos de encantamento, imaginação e, sobretudo, imagens guardadas e despertadas. Estavam presentes, palavras ditas, escritas, que, estarão aqui, fazendo (e fizeram) parte desses episódios relevantes em minhas recordações nos tempos de escola, no jardim-de-infância, alfabetização, 1ª a 4ª séries, ensino fundamental, ensino médio e superior, e vendo, em partes, posturas diversas de alguns profissionais da educação.
Meus pais foram responsáveis pela continuação dos estudos, por contribuir e incentivar minha trajetória estudantil. Que, os dois, por não terem concluído seus estudos, sabiam que a educação e a sua valorização prevaleciam, haja vista, estavam presentes em seus discursos.
Recordo-me no início deste processo: cantigas, brincadeiras e habilidades artísticas no período de jardim-de-infância. Se não me engano, o nome era Eleneuza, minha primeira professora na Escola Pequeno Príncipe, em Ouricuri-Pe. Em seguida, estudei na Escola Telésforo Siqueira, por volta de cinco anos, na época, era alfabetização, e 1ª a 4ª séries. A professora que nos acompanhou desde a 1ª série foi “Dona Luiza”, sempre dedicada, carinhosa, se empenhou para desenvolver nossas habilidades fundamentais para a inserção no mundo da escrita.. Lembro que nesse período, eu era muito tímida, mas “afoita” para as apresentações culturais. Todos os anos eu participava dos desfiles cívicos, que eram muito esperados, em cima dos carros alegóricos “Alice no País das Maravilhas”, dentre tantos outros. Lembro-me que ganhei de minha mãe, uma coleção completa dos livros clássicos: “Chapeuzinho Vermelho”, “Branca de Neve e os Sete Anões”... E ficava horas compenetrada, ouvindo e imaginando as cenas retratadas, complementadas pela ilustração dos livros. Até a minha avó materna – Mercês Coelho-, colaborava e incentiva os estudos, ganhei dela uma cartilha – literatura usada no modelo de alfabetização mecânica da época - ou livro de alfabetização, com atividades como: O coelho vê a pipa. Cacá vê a pipa. Sempre estive rodeada pela leitura, adorava comprar revistas em quadrinhos da Mônica, Cebolinha e Cascão, que por sinal, nunca esqueci o castigo que recebi da professora Luiza, ao ver que estava levando para a sala de aula. O que estava acontecendo naquele momento? Era certo?! Não sei. Só sei que adorava lê-los.
Quando cheguei ao Ensino Fundamental II, na Escola Estadual Fernando Bezerra Coelho, precisamente de 5ª a 8ª séries, senti aquele impacto: tinha vários professores nos ensinando. Como eu senti falta da professora Luiza! Mas, aos poucos, fui me adaptando. Nessa época, colecionava papéis de carta, ilustrados, com poesias diversas, “era a temporada das Pastas de Papel de Carta”, ficávamos trocando com as colegas e enviávamos carta aos conhecidos. Depois, foi à vez dos diários, todos queriam colocar suas preferências nele. Este continha várias perguntas, deixávamos mensagens, preferências de livros, músicas... Foi através deste meio, que por curiosidade li o livro “Poliana Moça” – pois tinha dado como melhor livro de algumas pessoas. Foi uma época bastante enriquecedora pra mim, vivi momentos prazerosos com meus colegas e, compartilhei muitos saberes. Sem esquecer, os registros diários de minha vida, colocando neste, desabafos, segredos de adolescente, que por sinal, eram guardados a sete chaves, para que ninguém pudesse encontrá-los. Algo que recordei neste momento, foi ter lido um livro, não lembro exatamente o nome, mas que nele continha como uma pessoa devia se portar diante dos outros, creio que era pra me ajudar a desinibir, a me soltar mais. Uma frase que nunca esqueci, foi a de que “um bom conversador é aquele que sabe ouvir, e espera a vez de falar”. Carreguei esta, até hoje, internalizada em minha memória. Dentre os divertimentos, montei uma sala de aula no muro da minha casa, e eu, é claro, era a professora. E olha que não faltava nada neste cenário: mesa pequena lembro-me que era azul, de madeira com quatro cadeiras, quadro, giz e apagador, e as colegas, ou alunas, traziam seu material escolar: caderno, lápis, borracha, lapiseira, e tinha até o lanche, que pegava no armazém de meu pai: chiclete, chocolate, bombons, essas guloseimas que todos adoram. Desde pequena, dizia que ia ser professora, ou mesmo, já estava sendo a partir desse período, nas brincadeiras.
Sempre fui muito curiosa, gostava de estar “ligada” em tudo que acontecia. Minhas irmãs gostavam de ler revistas de romance, “Júlia, Sabrina”, todas colecionavam essas revistas. E eu, também guardava um tempinho para vislumbrar nas entrelinhas desta revista amores perfeitos, romances platônicos...
Uma aula que ficou gravada em minha memória, foi durante a 7ª série, na aula de inglês, em que a professora Doralice levou uma música, onde todos cantaram e apreciaram: “Sunshine oh my shoulder – de John Denver - .
Enfim, chegando o Ensino Médio, a turma se dissipou (era a mesma desde a 1ª série) e alguns se matricularam na Escola Normal São Sebastião (Magistério) por três anos.
Depois de tanta insistência, consegui ir morar em Petrolina-PE, fazer um curso Pré-Vestibular. Senti dificuldades, pois algumas disciplinas não foram trabalhadas no magistério. Exatamente no ano de 1999, passei no vestibular de Letras – FFPP – UPE. A professora destaque na universidade foi Clara. Tinha um jeito de ser, encantadora, autêntica e convincente nas suas aulas. A disciplina era Literatura Brasileira, contava com tanta eficiência as histórias clássicas que, contagiava a todos, inclusive a mim, que era sua fã de carteirinha, pois construí acesso ao mundo da leitura e da escrita. Adorava suas aulas, eram dinâmicas, prazerosas e acima de tudo, despertou o prazer que tem a leitura. Ela gostava muito de ler os livros de Machado de Assis, e isso, contagiou-me até devorar algumas leituras: “O Alienista”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro”; e também obra de Graciliano Ramos – São Bernardo; Senhora e O Guarani de José de Alencar,A hora da Estrela de Clarice Lispector, dentre outros. Como também, livro de Jorge Amado, com uma linguagem simples, soube descrever a vida cotidiana das pessoas: Capitães de Areia, Dona Flor e Seus Dois Maridos...
Nunca achei nenhuma matéria inútil, mas algumas delas se tornaram mais significativas e apreciadas.
Entretanto, esse embarque no mundo letrado faz parte desde muito pequena, onde apreciávamos os lugares, cartazes em nossa volta, objetos, tudo refletindo nosso convívio no meio social e cultural.
“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia das nossas palavras. O professor, assim, não morre jamais...”

Betânia (formadora - Santa Cruz-PE)
www.procurandoacertar.blogspot.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Nosso presente é fruto do nosso passado.
Colheremos amanhã o fruto do que estamos plantando hoje.
Portanto, prestemos atenção no tipo de semente que estamos plantando.
Salette & Ruggeri (2007, p.35 )


Uma breve reflexão da minha atuação como formadora “GESTAR II “
Muitas vezes inquieto-me com os entraves que atrapalham o desenrolar das atividades . Desde os de origens técnicas até os burocráticos .
Planejo as oficinas com antecedência, pesquiso e organizo todo material que acho necessário para que no dia determinado tudo saia perfeito . Algumas vezes a tecnologia falha, eu me atrapalho, alguns professores faltam ao encontro e por aí vai.
Surgem então as minhas inquietações: Será que as oficinas oferecidas não estão atendendo às necessidades dos professores? E outras dúvidas.
Sempre que terminam os encontros, peço para que os professores avaliem e façam sugestões para os próximos. Daí é que planejo outras oficinas. Infelizmente nem tudo dá certo. E na tentativa desses acertos muitas vezes cometo exageros. Uma dúvida cruel me inquieta: O que fazer para acertar?
Se depender do meu querer os resultados serão os melhores possíveis. Pois entrego-me de corpo , alma e vontade.

O Embarque de Ana no Mundo Letrado


Sou a segunda filha de uma família de sete filhos. Meus pais, pessoas simples com pouca escolaridade. Meu pai era motorista particular e minha mãe do lar. Meus pais estudaram até a quarta série primária. O meu pai sempre gostou de ler, já a minha mãe não era muito da leitura.
A minha convivência com livros e revistas, iniciou dos três pra quatro anos de idade. Como eu sempre fui curiosa, abria as revistas e jornais que meu pai trazia para casa. Ainda lembro que ele gostava de ler as revistas “O Cruzeiro”, que eu folheava e muitas vezes perguntava o que estava escrito. Quando eu fiz cinco anos, fui matriculada no jardim da infância, nesta escola eu estudava em uma cartilha que para cada letra do alfabeto era representado por um animal. Em casa a minha mãe me ensinava a lição e muitas vezes eu esquecia. A professora que não era muito paciente batia a minha cabeça na parede. Certo dia quando a professora estava revisando os livros, percebeu que a minha cartilha faltava a página da letra “S”, ela me perguntou o que eu havia feito da página. Eu respondi que havia rasgado, pois tinha muito medo do sapo. Ela quase rasgou a minha orelha de um puxão. Só me alfabetizei aos dez anos quando já cursava a terceira série.
Já na adolescência , quando cursava a quinta série , gostava de ler gibis e alguns livros de contos de fadas. Leitura que até hoje gosto de fazer. Ainda na fase do ginásio eu fazia as leituras que a professora de Língua Portuguesa indicava a cada semestre, os chamados paradidáticos. No final dessas leituras a professora pedia para se preencher uma ficha de leitura que acompanhava o livro, e assim foi que li os clássicos da literatura brasileira, como: Helena, Iracema, Dom Casmurro, A Viuvinha e outros. Atividades completamente mecânicas.
No segundo grau as leituras eram voltadas pro vestibular. A professora indicava o livro e em determinada aula os alunos eram sabatinados. Eu achava a leitura chata e monótona.
Nesta época o que eu mais gostava de ler era as revistas Sabrina e Júlia, onde eu viajava para o Caribe, Egito e tantos lugares exóticos.
A escrita utilizada na escola era um treinamento de redação, tudo que o vestibular exigia.
Na faculdade iniciei pelos “Os Lusíadas” Luiz de Camões, li sem prazer, logo vieram “Os Sermões da Montanha” de Padre Antonio Vieira, os quais eu lia e me deliciava.
Atualmente leio uma diversidade de gêneros textuais, alguns para desenvolver atividades relacionadas à minha profissão e outros para me divertir e viajar como fazia na adolescência. E quando a leitura é boa eu indico para meus amigos e alunos.
Todo professor precisa gostar de ler, para se atualizar-se. O professor deve influenciar seus alunos, deixá-los curiosos e tentar desenvolver neles o hábito da leitura.
Todo professor precisa gostar de ler, seja para se atualizar ou se divertir. Ele necessita da leitura para influenciar seus alunos, deixá-los curiosos e desenvolver o hábito de ler.

Ana Maria Oliveira de Paula, nasci em Recife no ano de 1957.
Passei parte da minha infância no município de Ipojuca, onde iniciei os meus estudos. Em 1963 voltei a morar em Recife. Fiz o segundo grau e parti para realizar meu sonho de cursar uma faculdade. Até então eu não havia definido que carreira seguir.
Em 1980, finalmente decidi ser professora de Língua Portuguesa. Estudei na UPE conclui o curso em 1985. Nesta época eu já ensinava nas séries primárias de uma escola particular. Daí surgiu oportunidade para lecionar na escola pública. Atividade que até hoje eu faço com muito prazer.
Após alguns anos de sala de aula no município do Cabo de Santo Agostinho, fui agraciada com uma bolsa de estudos, para fazer pós- graduação em Avaliação em Língua Portuguesa na UFPE, (2000/2001).
Em 2003, iniciei minhas atividades com técnica em avaliação no Núcleo de Avaliação do Cabo de Santo Agostinho (NAEC). Também desenvolvo um trabalho de formação para professores, voltado à melhoria dos resultados das avaliações oficiais.

domingo, 18 de outubro de 2009

Algumas considerações sobre a Avaliação Diagnóstica de Entrada

A Avaliação Diagnóstica foi aplicada nas minhas turmas de 6º e 7º ano, da Escola Gregório Bezerra, localizada na Ilha de Santana, sem número, na cidade de Olinda. Considerei o tipo de Avaliação apresentada pelo projeto GESTAR II de nível muito alto para a realidade dos alunos da minha escola, levando em conta os textos trabalhados por mim, e nos livros didáticos utilizados por eles.

Busquei estimular nos alunos do 6º e 7º ano, em primeiro lugar, a sensibilidade para a leitura numa tentativa de mostrar-lhes não apenas os recursos utilizados pelos autores dos textos, mas a intenção deles ao utilizarem determinados recursos.
Os alunos sentiram dificuldades nas informações explícitas e implícitas, tanto no que diz respeito ao emprego de certas palavras nunca vistas por eles, mas também pela falta do hábito de reflexão e saber relacionar os fatos apresentados em cada texto.

As dificuldades nas duas séries forma iguais, e os alunos não souberam associar as diferentes estratégias; sentiram problemas em reconhecer o narrador do texto, na expressividade dos recursos linguísticos e extralinguísticos e na identificação dos vocábulos que tinham a mesma referência.

Já na relação de comparação de características e finalidades do texto, e na relação entre informações em um mesmo texto, observei uma resposta bem positiva de ambas as séries. A respeito dessas últimas observações, posso dizer que o percentual avaliado foi de 85% de aproveitamento dos alunos.
Espero que a próxima avaliação tenha um melhor resultado.


Meu nome é Ângela Cristina Fernandes Costa e sou Professora Cursista da Prefeitura de Olinda.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Aos meus queridos formadores, colegas nessa tão nobre profissão: PROFESSOR!


Ser professor é professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou...
Ser professor é consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original...
Ser professor é encontrar pelo corredor com cada aluno, olhar para ele sorrindo, e se possível, chamando-o pelo nome para que ele se sinta especial...
Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e, diante da reação da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...
Ser professor é envolver-se com seus alunos nos mínimos detalhes, vislumbrando quem está mais alegre ou mais triste, quem cortou os cabelos, quem passou a usar óculos, quem está preocupado ou tranquilo demais, dando-lhe a atenção necessária...
Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado.
Ser professor é equilibrar-se entre três turnos de trabalho e tentar manter o humor e a competência para que o último turno não fique prejudicado...
Ser professor é ser um "administrador da curiosidade"de seus alunos, é ser parceiro, é ser um igual na horade ser igual, e ser um líder na hora de ser líder, é saber achar graça das menores coisas e entender que ensinar e aprender são movimentos de uma mesma canção: a canção da vida...
Ser professor é acompanhar as lutas do seu tempo pelo salário mais digno, por melhores condições de trabalho, por melhores ambientes fisicos, sem misturar e confundir jamais essas lutas com o respeito e com o fazer junto ao aluno.
Perder a excelência e o orgulho, jamais!
Ser professor é saber estar disponível aos colegas e ter um espírito de cooperação e de equipe na troca enriquecedora de saberes e sentimentos, sem perder a própria identidade.
Ser professor é ser um escolhido que vai fazer"levedar a massa" para que esta cresça e se avolume em direção a um mundo mais fraterno e mais justo.
Ser professor é ser companheiro do aluno, "comer do mesmo pão", onde o que vale é saciar a fome de ambos, numa dimensão de partilha...
Ser professor é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo".
Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...

Com carinho Aya